[solodeguitarra]
>LES FILLES, LES FILLES<
Quero saber quem aqui entende de falta. Baixem o braço, estou falando de falta sem apego. Falta quente sem ausência além da espacial. Nada melhor do que vinho pra te deixar bêbado. Io io evoé, blah blah blah, pareço um hippie que faz oficina de teatro na Terreira. É, eu já fiz, mas na época eu parecia um Freak Brother. Até me chamaram assim, na porta do galpão, um pouco antes do exercício de tsá-PÁ. Mas não adiantou muito, maconha nunca foi minha droga. Sou um tradicional, meu negócio é beber. Mas não faço mais essas coisas não: quero é comer sorvete com doce de leite. Mas de falta, vocês entendem? Quando o assunto é futebol e amor, qualquer pessoa se acha expert. Confesse, você já se sentiu o maior idiota do mundo. Mas não é assim, não: idiota sou eu, você é o maior sofredor do universo. Eu, tu, ele, nós, vós, they keep fallin' on my head. Mas não sou homem de choramingar, meu negócio é me desmanchar em lágrimas como água de torneira direto no suflê - tutti buona gente. Cara, nada mais comovente que meu irmão jibesons flying-v branca na pança mandando ver um shallow water - logo depois vem o yeaaaaaaaaaaaaaaaah que me faz pingar salitre d'olhos.
>NICONTINVALIUMVACODINMARIJUANAECSTASYANDALCOHOL<
Quero saber quem aqui tem um irmão. Baixem o braço, estou falando de um irmão com acroextremidades. Irmão increíble que você olha e pensa oh my, ele é mesmo dos meus, vem cá que te dou um beijo. Nada melhor do que rádio pra te deixar puto. Unisinos FM 103 pooonto 3, blah blah blah, pareço um qualquer porto-alegrense que fica em casa em uma noite de sexta-feira. É, eu fico mesmo, mas é que não tenho o que fazer. Até me convidaram pra fazer uns lances, ontem mesmo, um pouco antes de eu ir embora do bar. Mas não adiantou muito, sair por sair nunca foi minha escolha no cardápio. Sou um tradicional, meu negócio é ter uma garota e me divertir com ela. Mas não faço mais essas coisas não: quero é descascar uma penca. Mas de irmão, vocês entendem? Quando o assunto é política e trepada, qualquer mané se acha expert. Confesse, você já se sentiu o maior fodedor do mundo. Mas não é assim, não: fodedor sou eu, você é o maior acólito de Onã do universo. Moi, thou, ele, nosotros, abzamza, celacantos causam maremotos. Mas não sou homem de cair de boca no mar, meu negócio é ficar na margem tatibitando o caaaaldo primaal de onde toooodos vieeemos e para oooonde voltareeeemos, mar e buceta, tudo coisa boa: inúmeros microorganismos em comum e tu me estranha o cheiro, paiaço? Cara, nada mais entediante do que beber vinho ruim viapianayorkmadera num pseudo-inverno sem ter alguém do lado para golar junto e fazer smoochie-boochies quando nada mais resta a dizer.
>NÃO SOU MAIS SEVERA E RÍSPIDA: AGORA SOU PROFISIONAL<
Quero saber quem aqui tem alguém. Baixem o braço, estou falando de ter alguém que realmente faz diferença. Ter alguém que é algo separado de ti e mesmo assim e por isso te deixa tonto de alegria. Nada melhor do que distância pra te deixar bobo. Milepoucos quilômetros bê-erres números vias presidentes mortos, blah blah blah, pareço um menino dedicado à fruição d'Arte que acabou de conhecer Leonilson e fica viajando nessa coisa de ter alguém assim longe. É, eu acabei de conhecer mesmo, mas é que nem eu conheço tudo. Até já tinha ouvido falar, mas não sabia desse lance dele ter um menino no além-do-horizonte-existe-um-lugar. Sou um tradicional, meu negócio é Ensor, Munch e Schiele. Mas não faço mais essas coisas não: quero é viajar numa instalação póspóspósbeuys cagalhões e bacalhau. Mas de ter alguém, vocês entendem? Quando o assunto é filosofia e música, qualquer coió se acha dono da verdade. Confesse, você já se sentiu o maior espertinho hein do universo. Mas não é assim, não: espertinho hein sou eu, você é o maior felodaputa cartesiano óbvio do universo. Ovelhas, porquinhos, vaquinhas, Sissy Hankshaw, ovelhas não voam porque se perdem no céu. Mas não sou hombre nefelibata, meu negócio é usar palavras de dicionário para parecer culto, assim como Bruna Lombardi dizendo e então os ônibus passaram céleres. Cara, nada mais dear prudence que won't you come out to play.
>QUE TUDO SE FODA ELA DISSE E SE FODEU TODA<
Quero saber quem aqui dear prudence. Baixem o ah! que Silas, estou cantarolando dear prudence mas em versão nineties jungle de um dj panamenho que mora na Áustria. Dear prudence que faz catchungun-tsssPUM em loop com flanger e causa danças altivas em meninas lindas etéreas morenas de franjudas grandes saídas de visões de Ezequiel, Antigo Testamento, ignoremos os versículos capitubulosos. Nada melhor que resquícios do passado pra te deixar inseguro. Não sei não, pode acontecer, blah blah blah, pareço um eunuco sem fé na força do próprio amor. É, eu não tenho tanta confiança assim mesmo, mas é que a lua influencia as marés e as colheitas de símbolos estranhos na Escócia. Até já me disseram que nunca foi assim, e mais de uma vez, inchando eu que era o outro neste caso in specialis. Sou um tradicional, eu acredito em oh meu deus é isso aí vamos cair de cabeção. Mas não me preocupo tanto com essas coisitas não: quero é mergulhar de saco na gelatina quentinha. Mas de dear prudence, vocês entendem? Quando o assunto é vajracchedika prajnaparamitra sutra ou fenomenologia do êxtase religioso tutsi, qualquer mortal se acha um ignorante. Mas não é assim, não: ignorante sou eu, você é o maior inocentefeliz do universo. Brancos, pretos, amarelos, vermelhos, pardos, eu nunca fui consultado pelo Censo. Mas não sou vivente de ser contado, meu negócio é sair andando por aí morrendo de uma saudade feladaputa contra a qual só tenho um alfabeto. Cara, nada mais preguiçoso que querer conforto.
>NEGORUIVOh TINHA RAZÃO: MENINA QUE DORME ACORDADA E FINGE DORMIR, SONHA COM RELÓGIOS ATÔMICOS E AS HERMENÊUTICAS DO TICTAC<
Quero saber quem aqui quer conforto. Baixem a Usiminas, estou deitado na rede que mamelô teceu preferencial ao portador. Conforto que contabiliza debêntures e te deixa molhada escorrendo pelas coxas implorando por um pau lá dentro e quase fora e lá dentro e quase fora devagar depois bem forte e devagar e depois no útero olá já fui oi de novo e depois sabe-se-lá, se tem receita não funciona. Nada melhor que querer dar o cu para ter certeza. Devagar devagar pára pára pára tá bom espera um pouco vai vai asssiiiiim iiisso me fode, blah blah blah, pareço uma endívia humana que só ontem ouviu falar de ky. É, eu não uso a coisa há muito tempo mesmo, mas é que tem gente que gosta de montanha russa e de fistfuck a seco. Até já me recomendaram luvas cirúrgicas, mas eu faço de conta que meu tímpano é uma amora. Sou um tradicional, meu negócio é pele com pele, mucosa com mucosa. Mas não saio por aí mesclando muco com o rebanho não: quero é pinçar uma cabeça e marcar a ferro. Mas de conforto, vocês entendem? Quando o assunto é legalize it e don't criticize it, qualquer maconheiro se acha jamaicano. Mas não é assim, não: jamaicano sou eu, você é o maior hondurenho da América Central. Colombo, Vespucci, Pizarro, Cortez, Orellana, Gian Francesco Bandini comandou uma das três caravelas que descobriram a América (a que afundou, aposto 12 contra 3 como se estivesse nos cavalinhos). Mas não sou indivíduo de viver de genealogia y heráldica, meu negócio é ser gentil e trabalhar tantricamente pela liberação dos incontáveis seres. Cara, como é gostosa essa Beth Gibbons, a voz também é o que há de bãin.
Escrito por Dinho Bandini às 18:19:19
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