[NADAPODESERMAIOR!]

  Hoje é aniversário do glorioso TRICOLOR DA AZENHA: 103 anos de títulos. até mesmo da segundona.

 



Escrito por Dinho Bandini às 14:52:52
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[umabandaafrentenomeiocaminho...]

 PexbA. Este grupo mineiro vêm aprimorando sua linguagem de experimentos desde 1998. No entento, sues integrantes participam de importantes movimentos musicais de BH desde a década de 80. Utilizando novas tecnologias e novas linguagens criam seu universo particular onde a liberdade de ação e criação é a norma. O resultado? Música.



Escrito por Dinho Bandini às 14:33:34
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[vaium1784aí?]



Escrito por Dinho Bandini às 13:49:23
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[festivaldinhobandinidetextosescabrososquefariamoPapaientender]

XII
 
Corre corre Pingoleta
pra saber o que é que eu fiz
fui nascer n'este planeta
mesmo assim eu sou feliz
se eu tivesse conhecido
os gametas de papai
certamente escolheria
este mesmo Avohay
considero a existência
uma coisa complicada
na minha conta eu espero
uma fortuna, uma bolada
se tivesse seu Ulysses
salva-vida na mochila
Risoleta não teria
divergências com Maguila
seu Dunga intransigente
leve Lucas, Mineiro
sacanagem com o tenente
Paraguai, brazilicola
se o VO que eu tanto prezo
funcionasse com mais ram
vascolândia 4 linhas
o Galvão o Fernandão
frente ao torpe cacalismo
chora chora torcedor
viva viva o ufanismo
neste compunhetador
redundância em que descansa
o Sant'ana e o Tofanilha
temos áreas de Lasier
pro o udigrudi e pra família
se o Alckmin aposentasse
FHC reclamaria
foi Incríveis é Belchior
o que será do
Brujeria??????
 
TTTTTTTTtttó0ó0ó0ó0ó0iiiiiiiinnnnnnnnnnnn!!!!!!!!!!


Escrito por Dinho Bandini às 12:58:00
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[ondemaisdóiequemtádirigindo?]



Escrito por Dinho Bandini às 12:47:14
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[goodsavedthequeen]

"Infinita é tua beleza,
como podes ficar presa
que nem santa no altar?" (R. Seixas)
 

- Fugi da polícia, desapareci pelos esgotos por dias e dias, viajei de Paris a Giverny de bicicleta, não é longe, é verdade, mas o pé doía demais, ainda dói, foi difícil, visitei a casa de Monet, vi os jardins, a ponte e o laguinho, adormeci pelas ruas, provei as cinzas das calçadas nas manhãs muito frias, sempre me escondendo, entrei em surto, o calcanhar, digo: o calcanhar. Tenho câncer no calcanhar. Me ajuda.

Falava em tropeços, afobada, perdida, criminosa. Conheci-a em Madri, roubou-me a carteira na rua e consegui alcançá-la. Daí para eu me apaixonar por ela foi um instante, os olhos azuis e maliciosos me
encantaram. Depois de alguns meses, me procurava de novo, mas por outro motivo. Chamava-se Lea, nome rápido e feliz.

- Como sabe que é câncer? Evita o doutor... - eu disse, desconfiado.

- Dói-me o calcanhar como absurdo, entende? - encrespou-se. Ao falar em português, fazia muitas construções estranhas e se expressava com palavras imprecisas. - Não preciso de otários em avental branco para me dizer o que já sei. Aliás, odeio médicos. E não tenho medo do corte - voz doce e nasalada.

- Não falávamos em medo. Falávamos em cidades européias, Firenze, Paris, Amsterdam.

- We're in London - ela pronunciou a frase em um inglês britânico e convincente.

- A Europa é uma só. Nas aulas de latim havia um texto que falava sobre isso. Uma pastorela de Virgílio, acho.

- Olha aqui, não tenho tempo para suas pastorelas, suas éclogas, mas tenho dinheiro. Quanto você me cobra para curar o calcanhar?

- O que você me pede é um absurdo. Não sou médico, não vou conseguir curá-la. Quem mais você visitou em Paris?

- Só Monet. Estou desesperada. Não preciso de médico. Preciso amputar meu pé. Você me ajuda? Corta ele? - sua voz estava mesmo desesperada.

- Vai ficar assim, sem o pé, como um pirata?

- Um dia eu ponho uma prótese - era sarcástica, além de tudo.

- Não tenho instrumentos cirúrgicos adequados - tentei convencê-la.

- Sei que tem remédios suficientes para não infeccioná-lo. Me basta. Eu pago bem. Muito bem - disse, convicta.

- Como? Agora você tem dinheiro?

- Acha que roubo apenas vagabundos como você? Conheci um turista canadense em Paris, um homem muito rico. Matei-o, roubei-o, por isso não posso entrar em um hospital. Pago em dólares.

- E se não for câncer? Se for apenas uma prosaica dor no osso?

- É um câncer no calcâneo. Pode se espalhar. Se eu não cortar, perco a perna, morro. Quer me ver sem a perna?

Pra falar a verdade, não me agradava nem a idéia de vê-la sem o pé. Baixei os olhos e fiquei admirando-o, o esquerdo. Era ossudo, a pele lisa e clara. Ajoelhei-me e toquei-o. Ela afastou minha cabeça com o
próprio pé, e eu aproveitei o movimento para beijá-lo.

- Tudo bem, mas tenho uma exigência - eu comecei, recompondo-me.

- Já sei, wanna fuck me - ela disse, aborrecida.

- Eu não estava pensando nisso. Ainda não, pelo menos. Mas o que eu quero é algo ainda mais especial - arregalei bem os olhos, interessado.

- O que é? - ela parecia alheia ao meu interesse.

- É algo macabro.

- "Macabro"? O que quer dizer "macabro"?

- Tétrico, medonho, fúnebre. Sabe?

- Sei. Tétrico, sei. Afinal, qual a exigência? Você corta?

- Corto. Mas o pé fica comigo - eu disse, abrindo um sorriso que eu agora sabia ser macabro.



Escrito por Dinho Bandini às 12:40:38
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[orapazeasuvasourodaoVT]

  Sua única ambição na vida era chegar até o banheiro daquela festa lotada. O corredor estava entupido de pessoas conversando animadamente, como se não estivessem bloqueando a passagem. Conversavam e uma ela jogava a cabeça pra trás com a mão no peito, gargalhando. Ah, que vontade de passar um facão no pescoço daquela bagaceira, quem ela achava que era pra tentar explodir sua bexiga daquela forma? Pescoçuda feia. Certas pessoas deveriam simplesmente ser extintas com uma arminha laser. Aliás, tudo que ele queria era ter um sabre de luz. Sim, porque sabres de luz cortam paredes - ele estava a alguns centímetros de concreto do banheiro -, e pescoços. Vamos liberar a passagem aí, bando de hippies. Finalmente. Um litro, dois três, pschhhhh ahhhhh. Zuuuuit, zíper, botão, cinto. Porta. Passou pra salinha ao lado, esperando encontrar alguém conhecido. Alguém. - Taquipariu, não acredito, não pode ser essa mina! - Resmungou para seu umbigo. Mas era. Era sua ex-namorada, que nem namorada tinha sido. Sua ex-paixão de alguns anos atrás, da época em que escutava Skid Row e usava botas, de quem levara um belo pé na bunda, estava ali, toda clubber - ela, que falava mal de música eletrônica, que era heavyzinha - de cabelos vermelhos repletos de presilhas e roupas de material esquisito. Mas era bem o tipinho dela, fazer o que tempos atrás criticava. A última coisa que ouviu a respeito dela foi que havia se mudado pra São Paulo, morava com um indivíduo e trabalhava como modelo. Claro, modelo: magrela e perfeita como era, só podia ser modelo, mesmo. Decidiu passar reto, espiando com o canto do olho. Como ela estava de costas, não o viu. Filha da puta. Fazia quanto tempo? Cinco anos? Por aí. E ele ainda tinha palpitações quando a via, exatamente como acontecia naquela época. Ah, essas pessoas insuperáveis. Ela estava sentada com a irmã, irmã essa que ele já tinha cortejado, logo que levou o pé na bunda, sabe-se lá porquê. A irmã o viu, abanou, e ficou por isso mesmo. Sabia que ela não comentaria nada com a Mina, pelo simples motivo de que a Mina era completamente indiferente a ele. Não dava a mínima. Ele tinha sido mais um dos idiotas apaixonados por ela. Mais um, unzinho, dentre os setecentos e quarenta e oito que caíram de quatro por ela. Sim, claro, ela era inteligente, linda, alta, loira, com grandes seios, sobrancelhas arqueadas e senso de humor. Por que alguém não se apaixonaria por ela? Não existe homem que resista a isso. Até existe, mas deve ter sérios problemas de critério. Ela era perfeita, a vadia. E não estava nem aí.

Foi pra rua e sentou-se no meio-fio, com vontade de botar a cabeça de molho.

Amigos. Olá, amigos. Olá, pessoas. Não, não, estou bem. É, tomei algumas cervejas, não sei quantas, ei, não estou agitado, não tenho culpa que vocês fumam maconha e ficam em baixa rotação. Estou normal, vocês que estão lerdos. Ô meu saco, vi sim, vi que ela está aí. Separou-se, é? Legal. Não, não me viu. Escuta, como anda aquela banda que você me falou uma vez? Não estou mudando de assunto, nada, seu pentelho. Só lembrei que... Ah, vá sentar em uma toicera, eu vou buscar outra cerveja. Não enche. Lalala, passando pela mesa, lalala, do lado dela, lalala, ela nem olha, fiufurufufu, olhando pra cima, e tem um cara sexy dando em cima dela, lalala, parece o Ken da Barbie, que droga, poxa vida, ela realmente nem me viu, e se viu ignorou tacitamente, eu sou um fudido, um merda, essa mina nunca vai dar pra mim mesmo, não deu naquela época e não vai ser agora que vai dar, que coisa mais idiota, me sinto um perdedor, soy un perdedor. Calma, mané. Passou novamente pelo maldito corredor apertado, chegou ao bar, pegou uma cerveja e sentou. Se sentia o último dos seres humanos. Mesmo que aquela moreninha uh de cabelos chanel não tirasse os olhos dele, mesmo que ele tivesse um trabalho perfeito, mesmo que soubesse que era um cara legal, sempre que a via, ficava resmungando pelos cantos. E ali estava, resmungando num canto.

O DJ colocou Beck, Loser, e todas as pessoas foram dançar. A grande conspiração. O DJ sabia. As pessoas sabiam. O taberneiro sabia. Aquele grupinho que ria no canto, ria dele. Não era paranóico, era tudo verdade. Um paranóico é quem tem uma vaga noção do que está acontecendo, já disse Burroughs. Ou será que foi Ginsberg? Um desses drogados aí. Mais uma cerveja. Outra. Sono. Já estava chegando a hora de dar uma deitadinha básica no sofá.

Deitou. Plef.

Dormiu. Acordou. Fuck, será que ela ainda está aqui? Foi conferir. Passou pelo corredor-moedor-de-carne, olhou. As amigas, a irmã, estavam todas ali, menos ela e o Ken. Olhou no bar, na rua, na chuva, na fazenda. Nada.

Saiu. Sua casa era o único lugar onde seria aceito naquele estado. Até porque morava sozinho. Mãos nos bolsos, cigarro na boca. Pedrinhas no chão. Baratas. A Mina na calçada. Epa, como assim, a Mina na calçada?

Atravessou a rua. Se recusava a vê-la sendo agarrada por aquele Ken cheio de tentáculos. Saída estratégica pela esquerda. Casa. Onanismo não era o fim do mundo, e pelo menos sua mão jamais seria abduzida pelo Ken. Chegou na frente do carro. Virou-se e olhou. Lá estava ela, toda linda, conversando pertinho do rapaz penteado. Pensou em voltar, passar bem na frente, oi, tudo bem, não tinha te visto, quanto tempo. Mas não. Não ia se submeter a essa situação ridícula. Se fosse pra falar com a Mina, ia FALAR com a Mina, que nem gente. E mostrar que não era mais aquele gurizote babaca. Que era grande, agora. Que tinha conceitos e opiniões formadas. Que era culto e tinha lido Ulisses. Que tinha cheques e salário. Que tinha uma casa e um aparelho de som e almofadas fofas no chão da sala. Que tinha dois cabelos no peito, Roberto e Renato. Ah, Mina, sua vaca sacrílega, por que não ficou em São Paulo?

Mina olhou pra ele. Não, não era pra parede ou pro céu, era pra ele. Pudera, esteve tão absorto em seus pensamentos que não se deu conta que ficara virado, olhando Mina e o Ken como um estúpido, com a chave do carro na mão, no meio da rua, durante todo aquele tempo, que poderia ter sido um, dois, dez minutos. Não importava. Mina o vira, ele tinha certeza. Virou-se, entrou no carro e arrancou, sem olhar pra trás.



Escrito por Dinho Bandini às 12:31:09
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[Bsilar, opaísimpossívelparteum]

"Já a ninguém importam os fatos. São meros pontos de partida para a invenção e o raciocínio."(Jorge Luis Borges)

 

  Um dia a lâmpada queima. As coisas deste mundo fenomenal incham: a doença se manifesta de um momento para outro, alimentada como um animal de estimação durante anos; aquela briga acontece, tantos sapos e amarguras engolidos; o ralo da pia entope, a caixa de gordura estoura.

Um dia, morremos.Mas câncer algum ou o que quer que pertença ao mundo vivo acontece assim, sem um germe que parasita, inchando ao longo do tempo.

  Na história não é diferente.Aconteceu que a imprensa simplesmente passou a ignorar o governo. Nem uma linha, por tempo indeterminado. Releases chegavam, como todos os dias, em dezenas de milhares em rádios, TV, jornais. Assessores de imprensa não tinham o que fazer, muitos chefes de Redação enfartaram. Repórteres aproveitaram esta chance, ao menos uma vez na vida, depois do Romantismo do Prelo do início do século: abastecer o noticiário com alguma coisa que não fosse governo ou economia. Cultura: cartoon, shows, cinema, literatura; as únicas cartolas permanentes então eram Geral e Polícia – caso houvesse casos para.O governo não se fez de sonso: ela é seu único palco, holofote e microfone — a imprensa, sua musa fiel. A provedora e dócil escrava, essa legítima scherazade midiática, o que puser na boca da sua musa contadora de histórias, ela conta. Como poderia sobreviver o governo, essa entidade sem corpo, com um nome genérico e sustentado, mais que pelo voto, sem o apoio desta então rebelde, essa cadela passiva e raramente metida?

  Pois pelo menos houve cheiro de que aconteceria alguma coisa, em meio àquela pasmaceira absurda em que Bsilar vicejava.

Escrito por Dinho Bandini às 12:09:53
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[aliteração:ali terá ação?]

Sem eira nem beira

Construí uma bebedeira

Tomando direto do gargalo

Ouvindo ele (o galo) cantar

Até que foi pro ralo

Tentei com o remo vê-lo

Mas isso era tão in

E eu costumo ser tão pos

Daí esse véu

Doce lar que notei não ser meu:

-era azul demais o azulejo!

Perdi muito tempo ali

Nos minutos dez e esperei

Mas não muito

Pois peguei uma pá da palavra

E nesses dez enterrei

Uma namorada

Tirei dela o amor

O que sobrou?

nada



Escrito por Dinho Bandini às 11:53:42
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[rom-ânsias]

-Oi...

-Oi. Sabia que era tu.

-Desculpa a hora. Quer sair?

-não.

-tá tudo bem?

-ando meio desesperado

-não costuma ser assim.

-mas esse é bom, pode crer.

-e como é?

-é como uma sensação de pureza. Plenitude. Sei lá, nunca senti isso antes e parece que poderia fazer qualquer coisa ou nada que não iria fazer diferença.

-e por que tu acha isso?

-não sei.

-tu não quer sair?

-não.

-não quer vir aqui?

-não tenho que acordar cedo amanhã.

-e o que tu ta fazendo?

-eu queria fazer um café, mas acabou o pó.

-tomando café tu não vai conseguir dormir.

-não esquenta, é lenda.

-eu não consigo dormir. Tava lendo e resolvi te ligar.

-lendo o quê?

-um artigo de uma revista falando de desertos de ozônio. Buracos enormes que vão fazer o sol nos fritar. Vamos morrer como ovos fritos. Acho que vai doer muito quando isso acontecer.

-bah, pode ser.

-tu não tem medo?

-não.

-tu não quer mesmo sair?

-não. To pensando num chá.

-não era café?

-acabou o pó.

-se tu viesse aqui a gente podia abrir aquela garrafa de vodca.

-toma um leite morno com mel e canela pra dormir.

-hmm...tá cuidando de mim agora?

-não. Só não quero que tu beba álcool...

-tá.

-seguinte assim ó: toma o leite e depois liga o radio eprocura uma musica bem sonífera e relaxa. Tu vai dormir como um...

-anjo?

-é...isso...

-tá bom.

-eu vou fazer meu chá.

-de que é?

-não sei. Diz aqui que é bom pra tudo.

-ainda ta desesperado?

-acho que sim.

-não quer mesmo vir aqui?

-não.



Escrito por Dinho Bandini às 11:42:32
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